A referência de 26,5% da Reforma se divide em CBS de 8,8% e IBS de 17,7%. Entenda a origem desses números, a trava da lei e a estimativa de 27,91%.
Você provavelmente já ouviu falar na alíquota de 26,5% da Reforma Tributária. Mas o que esse número quer dizer, na prática — e é isso mesmo que a sua empresa vai pagar? Vamos explicar de forma simples.
De onde vêm os 26,5%
A partir de 2027, cinco tributos sobre consumo (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) dão lugar a dois:
- CBS (federal), com alíquota de referência de 8,8% — substitui o PIS e a Cofins;
- IBS (estadual e municipal), com alíquota de referência de 17,7% — substitui o ICMS e o ISS, de forma gradual até 2033.
Somando os dois, chega-se à referência de 26,5%. Esse número não é um teto automático: é a trava de revisão da Lei Complementar 214/2025 (art. 475, §§ 10 a 12). Na avaliação de cada 5 anos, se a soma das alíquotas de referência estimadas para 2033 passar de 26,5%, o governo federal, ouvido o Comitê Gestor do IBS, tem de mandar ao Congresso um projeto de lei complementar com medidas (como rever regimes favorecidos e benefícios) para trazer a soma de volta a 26,5% ou menos. Quem aprova a mudança é o Congresso.
E os 27,91% que saíram na imprensa?
Em 2026, o Comitê Gestor do IBS chegou a estimar 27,91%, acima da referência de 26,5%. Isso gerou muito barulho, mas é preciso contexto: essa estimativa foi usada apenas para projeção de receita e montagem do orçamento de 2027. O próprio comitê deixou claro que não é a alíquota que será efetivamente aplicada ao contribuinte depois da transição.
Em resumo: a referência de trabalho continua sendo 26,5%. Ela não é um teto que corta a alíquota sozinho: se a estimativa passar disso, a lei obriga o governo a propor ao Congresso medidas para reduzir. E também não é um valor que cai automaticamente no seu bolso.
Por que você quase nunca paga o valor “cheio”
Aqui está a parte que costuma ser esquecida: o novo imposto é creditável. Se a sua empresa vende para outras empresas (B2B), o valor destacado vira crédito para o seu cliente — e o custo real tende a ficar próximo de neutro ao longo da cadeia. Além disso, vários setores terão alíquota reduzida.
O impacto de fato aparece mais na ponta final, na venda ao consumidor. Por isso, olhar só para o “26,5%” e se assustar é um erro comum.
O que isso muda para a sua empresa
Depende do seu setor, dos seus clientes e das suas margens. Não existe resposta única — existe conta na ponta do lápis.
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